Benoist Mallet Di Bento

A União Latina: quando o Brasil ousava sonhar

Éder Fonseca

No âmbito de minhas reflexões e intercâmbios sobre a Francofonia, as relações entre as culturas e as dinâmicas de cooperação entre as duas margens do Atlântico, quis dar espaço a esta contribuição de Éder Fonseca, dedicada a uma página hoje amplamente desconhecida da história das relações entre o Brasil, a França e os países de tradição latina.

Intitulada «A União Latina – Quando o Brasil ousava sonhar», esta tribuna apresenta um olhar brasileiro sobre a gênese e o destino da União Latina, organização criada no período posterior à Segunda Guerra Mundial em torno de uma concepção cultural, intelectual e civilizacional da Latinidade.

O texto retoma, em particular, as reflexões do diplomata francês Pierre Cabanès e do ministro brasileiro das Relações Exteriores João Neves da Fontoura, cujas visões, desenvolvidas de um lado e de outro do Atlântico, contribuíram para fazer emergir a ideia de uma aproximação entre as nações que compartilhavam uma herança latina. Éder também insere essa reflexão no contexto intelectual e geopolítico do pós-guerra, mencionando o projeto de um «Império Latino» formulado por Alexandre Kojève.

O interesse desta contribuição reside também no olhar lançado a partir do Brasil. A União Latina não aparece apenas como uma iniciativa diplomática europeia, mas como um projeto do qual o Brasil participou e no qual alguns responsáveis brasileiros puderam identificar um meio de diversificar as relações internacionais do país e afirmar seu lugar em um espaço mais amplo do que aquele constituído exclusivamente por suas relações com os Estados Unidos.

Essa história nos convida, assim, a refletir sobre a maneira como determinadas iniciativas de cooperação podem nascer de uma convergência de ideias, adquirir uma verdadeira dinâmica institucional e, posteriormente, desaparecer progressivamente da memória e das agendas políticas.

A tribuna de Éder estabelece, por fim, uma aproximação com os BRICS, que pertence à sua própria análise. Sem equiparar os dois projetos, ele questiona a capacidade do Brasil de preservar, ao longo do tempo, um lugar à altura de seu potencial no âmbito das organizações das quais participa ou para cuja criação contribui.

Um olhar brasileiro sobre a Latinidade

Éder Fonseca é oficial do Ministério Público do Estado de São Paulo, engenheiro formado pela Universidade Santa Cecília, de Santos, e pelo INSA de Toulouse. Atualmente, também prossegue sua formação em geopolítica das Américas.

Sua trajetória, situada na interseção entre a formação científica, o direito público e o interesse pelas relações internacionais, alimenta um olhar singular sobre as relações entre o Brasil, a França e o espaço latino-americano.

A publicação desta tribuna insere-se em uma vontade de favorecer, para além das fronteiras linguísticas e nacionais, a circulação de perspectivas e análises. Ela lembra, em particular, que a Francofonia e a Latinidade podem ser compreendidas como espaços de diálogo, de aproximação e de cooperação, e não como conjuntos rígidos ou exclusivamente institucionais.

Esta contribuição foi publicada com a autorização de seu autor e passou por um trabalho de revisão e formatação em francês, realizado em diálogo com Éder Fonseca.

A tribuna também é publicada pelo i-Dialogos, no âmbito de suas contribuições dedicadas às relações internacionais, às culturas e às dinâmicas de diálogo entre as sociedades.

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